Atualmente vemos que os casos de pessoas
acometidas com algum tipo de câncer vem crescendo. Me lembro que
durante minha infância ouvia casos que aconteceram com um “conhecido de
um amigo distante”. Até que isso aconteceu na minha família. Só quem
passou por isso, teve um parente próximo ou um amigo com câncer sabe
como é complicado o tratamento dessa doença.
Eu já havia lido sobre os benefícios da
atividade física orientada para pacientes em tratamento de câncer, mas a
minha ficha realmente caiu quando eu tive que trabalhar diretamente com
um caso na academia. Isso fez com que durante um período eu li muito
sobre atividade física e câncer.
Antes de ir para a parte técnica do
texto tenho algumas considerações a respeito desse tema para
compartilhar com vocês professores:
- Estudem! Ao ver os benefícios que a atividade física pode promover para pacientes com câncer, vocês verão a ferramenta poderosa que temos em mãos para melhorar e MUITO a qualidade de vida de um paciente.
- Muitos pacientes acabam passando pela dificuldade do tratamento em casa, pois não tem informação suficiente e não sabem onde encontrar um profissional de confiança para auxiliá-los (e isso é 100% nossa culpa, educadores físicos!).
- Acredito plenamente que muito do combate a essa doença é feita mentalmente (mente X câncer), então NUNCA trate um aluno/paciente como um coitado. A situação é exatamente a inversa, o paciente vai ter que ter a mente de um guerreiro para superar todo o tratamento. Então, se chegar um aluno nas suas mãos e pedir sua ajuda para complementar seu tratamento lembre-se: você não está falando com um coitado e sim com um gladiador!
A fase do tratamento do câncer
(quimioterapia ou radioterapia) acaba trazendo como consequência efeitos
contrários aos efeitos do treinamento. A radiação pode causar fibrose
nos pulmões reduzindo a capacidade pulmonar; a quimioterapia leva a um
quadro de anemia afetando o transporte de oxigênio, quadro que reduz o
débito cardíaco e a quantidade de massa magra. Os pacientes também
apresentam uma fadiga maior para realizar suas atividades diárias.
A atividade física regular (uma
caminhada leve por 30 minutos ou mais na maioria dos dias da semana) já
apresenta benefícios associados a uma cadeia de eventos desde o sistema
nervoso até a contração muscular. Vou resumir no texto alguns
benefícios que podem ajudar muito a fase de tratamento de um câncer.
Imunidade
O mecanismo exato do efeito do exercício
sobre a imunidade ainda é desconhecido e necessita de mais estudos.
Atualmente a literatura sugere que o exercício tem uma função
anti-inflamatória e se praticada a longo prazo, pode proteger o paciente
de inflamações crônicas associadas a doença.
Composição corporal
Em alguns casos, pacientes de câncer
apresentam obesidade e na grande maioria perda de massa magra. Para
pacientes com câncer de mama, uma revisão mostrou que o treinamento
aeróbio promove um redução de gordura e o treinamento de força
(musculação) a manutenção da massa magra.
Capacidade aeróbia
Apesar de existirem poucos casos de
treinamento aeróbio de alta intensidade, alguns dados mostram que esse
tipo de treinamento pode preservar a capacidade aeróbia, mesmo
concorrendo com os déficits causados pelo efeito da
quimioterapia. Pacientes com câncer de origem hematológica (COH) e
câncer de mama se beneficiam muito do treinamento aeróbio de intensidade
moderada e baixa com uma frequência mínima de 3 dias por semana. Os
dados mostram que por aspectos relacionados a segurança, os ergômetros
(esteiras e bicicletas) apresentam bons resultados psicológicos e
fisiológicos.
Pacientes com COH mostraram aumentos
significantes na taxa de hemoglobina com o treinamento aeróbio. Fato que
tem relação com as melhoras na aptidão física e qualidade de vida
apresentadas na literatura.
Um estudo específico citado em uma
revisão que avaliou somente exercício e pacientes com COH, mostra que
deve-se investigar um possível limiar de hemoglobinas e plaquetas para
permitir que os pacientes participem de um programa de atividades
físicas. Porém, mais investigações são necessárias para estimar esse
limiar e possivelmente limiares para diferentes intensidades de
exercício aeróbio sem colocar o paciente em risco de infecções.
Força Muscular
Aluns estudos mostram incrementos de 30%
a 50% na força em pacientes que praticam musculação durante o
tratamento do câncer. O treinamento de força é uma das alternativas mais
seguras, porém na maior parte dos trabalhos a musculação é associada a
um treinamento aeróbio. Isso dificulta a avaliação dos benefícios
somente do treinamento de força.
Aspectos psicológicos
Em pacientes acometidos com câncer de
mama, o exercício está associado a uma manutenção positiva da
auto-estima. Outros fatores como ansiedade e depressão também tem seus
scores reduzidos.
Conclusão
Muitas revisões que se preocupam em
reunir dados desse tema encontram limitações metodológicas nos trabalhos
como falta de randomização e delineamentos não controlados. Outro ponto
carente na literatura são as atividades de alta intensidade que em
alguns casos apresentam respostas positivas porém são pouquíssimo
estudadas. Porém, podemos pensar em vários aspectos positivos levantados
nesses trabalhos que colocam a atividade física como um grande
“auxiliador” do processo que envolve o tratamento do câncer.
Quem acompanha ou já acompanhou algum
paciente sabe que existem alguns períodos que sucedem a quimioterapia
onde o corpo fica bem fragilizado, porém fora esses períodos o paciente
pode treinar praticamente em qualquer intensidade se o treinamento for
bem prescrito.
Conheça seu aluno, estude, estude e ESTUDE!
E saiba que você nunca está sozinho nessa, procure ajuda, converse, discuta pois só assim temos como melhorar.
Nossa profissão ainda precisa conquistar um espaço mais que merecido…
escrito por
Por Yuri Motoyama
(Prof. Suspiro Reto)
Referencias
COURNEYA,
Kerry S. et al. Effects of aerobic and resistance exercise in breast
cancer patients receiving adjuvant chemotherapy: a multicenter
randomized controlled trial. Journal of Clinical Oncology, v. 25, n. 28, p. 4396-4404, 2007.
KRUIJSEN-JAARSMA, Mirjam et al. Effects of exercise on immune function in patients with cancer: a systematic review. Exerc Immunol Rev, v. 19, p. 120-43, 2013.
WOLIN, Kathleen Y. et al. Exercise in adult and pediatric hematological cancer survivors: an intervention review. Leukemia, v. 24, n. 6, p. 1113-1120, 2010.
fonte : http://4x15.com.br/noticias/