Por Yuri Motoyama
(Prof. Suspiro Reto)
Muitas estratégias de suplementação vêm
sendo utilizadas para melhorar a performance e/ou alcançar resultados
estéticos. O grande problema é quando isso se torna uma indústria e os
comerciantes se preocupam mais em ganhar dinheiro do que as estratégias
de suplementação realmente ditas. Um dado interessante é que o leite
com achocolatado vem sendo muito utilizado por atletas por se barato e
acessível.
A pesquisadora Prof. Dra. Emma Cockburn
na Universidade de Northumbria, estuda os efeitos da ingestão de leite
na recuperação em atletas a alguns anos. Em uma recente publicação ela
mostrou que os efeitos da ingestão de 500ml de leite semi desnatado após
o treino podem ser utilizados como uma estratégia nutricional na
recuperação muscular.
Os voluntários foram divididos em 3
grupos onde um grupo tomava 500ml de leite, o outro grupo 1000ml de
leite e o grupo placebo que tomava 1000ml de água logo após um treino
de extensão de joelhos em um aparelho isocinético. Os resultados foram:
- Redução na perda de performance (torque) em 10% (ambos os grupos 500ml e 1000ml de leite) comparado com 19% do grupo placebo. Então se você fosse um dos voluntários que tomaram leite, 72h depois do treino treinaria mais forte do que o grupo placebo.
- Redução nos níveis circulantes de Creatina Quinase (CK) em ambos os grupos que consumiram leite. Lembrando que essa enzima é utilizada como biomarcador de dano celular devido a sua presença exclusiva dentro da célula muscular, em caso de dano celular (treino, traumas, pancadas, etc) ela extrapola para corrente sanguínea. O estudo mostrou que o leite contribuiu para a síntese de proteínas reduzindo o aparecimento de CK 72h após o treino.
- Interleucina 6 que é um marcador inflamatório, também apresentou uma redução no grupo que consumiu 1000ml de leite.
Um ponto muito interessante do estudo é
que não houveram diferenças entre o grupo de consumiu 500ml e 1000ml de
leite. Indicando que não existem benefícios adicionais com maiores
quantidades de suplementação (proteína) e que podemos utilizar a dosagem
menor por ser mais confortável (beber meio litro apenas) e mais barata.
Outro estudo citado no artigo comparou a ingestão de 17g de proteína
com o dobro 34 g. Também não mostrando nenhuma diferença na síntese de
proteína muscular. Especula-se que o excesso de proteína ingerida não dá
nenhum ganho adicional anabólico e muitas vezes o excesso é oxidado.
O estudo apresenta algumas limitações
como o placebo ser água (os voluntários sabiam o que estavam tomando),
sabemos que os fatores psicológicos e motivacionais influenciam muito.
Vale a pena ficar de olho para não gastarmos o dinheirinho do cinema em embalagens caras e bonitas!
Referência
Cockburn, Emma, et al. “Effect of volume of milk consumed on the attenuation of exercise-induced muscle damage.” European journal of applied physiology 112.9 (2012): 3187-3194.